Tatuagens fazem parte de um imaginário coletivo. Ainda sob muitos aspectos, bastante negativo. Ninguém sabe dizer o porquê, mas quando mencionamos o tema, o olhar e a contração dos lábios já expressa o desconforto.
Até bem pouco tempo, a tatuagem era um reduto eminentemente masculino. Tal liberdade cabia para expressar um ato de amor, um rito de passagem, aceitação ou outros significados, possíveis de representar uma emoção através de símbolos. Como estava relacionada também a marginalidade, pouquíssimas mulheres, tatuavam seus corpos e, se o faziam, se caracterizava como uma forma de rebeldia.
Hoje, a tatuagem esta disseminada entre homens e mulheres, mas talvez, muitas ainda, não o façam pela dor. Porém, cada vez mais elas querem gravar em cores, estilos, formas, como um pintor em sua tela, a visão que tem do mundo, na sua pele.
Se já não quiser mais, o que farei? O tempo vai passar, "isso" vai enrugar, e aí? Os questionamentos tradicionais perderam para a beleza dessa arte. Sim, arte!
A tatuagem é uma arte, muito embora a sociedade ainda a discrimine. Em muitos países, como os Estados Unidos, Holanda, Dinamarca e Alemanha, há exposições de temas, competições, convenções, que têm por objetivo promover e divulgar a atualização de novas técnicas, de aplicação e assepsia e, por não dizer, quebrar barreiras de discriminação e preconceito, tanto daquele que a faz quanto do seu tatuador.
Inúmeras podem ser as formas de expressão de um sentimento, seja através de um livro, uma pintura, escultura ou uma música, a relação que temos com a obra é subjetiva, não é de proximidade constante, ela existe, foi concebida por um artista, mas não anda e nem respira, não é possível tocá-la todos os dias, se assim o desejarmos.
O nosso gostar ou desgostar é particular. Entretanto, quando falamos de arte no corpo, o preconceito ganha voz, indignação e marginalidade. Agora, pergunto: qual é a diferença? Por que a arte não pode ser inscrita no corpo? E ser respeitada como tal?
Nenhum comentário:
Postar um comentário